1 de jun de 2013

Sobre ser feliz




Tem dias em que aquele aperto no peito acompanha o primeiro abrir dos olhos. Aqueles dias em que a última coisa que se quer é despertar, sair do sono. Há falta de coragem pra viver. Cansaço de corpo e coração. Dias feito hoje. Fins de mês, inícios de semana. Recomeços.
Nesses dias, sempre me lembro das palavras que ouvi de um senhorzinho pra lá de oitenta anos, muito sabido das coisas, além de gentil, doce e elegante:
"- Ser feliz é não ter medo de acordar." A frase me intrigou. Ouvi, guardei e pensei muito mais do que cem vezes.
Ser feliz é, sem dúvidas, um dos maiores desejos humanos. Basta observar as mensagens de aniversários, natal, ano novo, casamentos, nascimentos. Todos querem para si e desejam para aqueles de que se gosta a felicidade. Felicidade. Do latim felicitatis. Sorte, ventura, bom êxito. Também chamada, o que poucos sabem, de Dita.
O que, para meu contentamento, já me foi um apelido. Por acaso e despretensiosamente, intitularam-me de felicidade. Sorrio mansamente feliz - sem mostrar os dentes - com o despropósito. Afinal, que bela coincidência! Sou admiradora de coincidências. E de belezas também, das pequeninas às colossais.
Pensar nas belezas da vida afasta os apertos do peito, o medo de acordar, a falta de coragem pra viver.
Saber enxergar os prazeres da vida e as pequenas alegrias do cotidiano, certamente traz mais pra perto a felicidade. Sentir o aconchego da cama em que se dorme, dos lençóis e travesseiros, ao acordar. A delícia dos sabores. O contato da água na boca, no corpo todo. O frescor dos cheiros. A energia do calor.  Jamais perder a vista das paisagens. A vibração dos sons. Passarinhos, ventos, chuva, água que corre, risos, suspiros, respiração. Em cada prazer há um consolo pros sentidos. Em cada alegria, um acalento para o coração. Assim se é feliz.    
         

3 comentários:

  1. É preciso, realmente, uma coragem grande para acordar. Coragem esta que já deveriamos ter só pelo simples facto de nos ter sido dado o privilégio da vida. No entanto, há dias em que nos esquecemos disso. Obrigado por me lembrares disso.

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  2. Riso sem mostrar os dentes, mas torto. Sempre torto.
    E a foto? Poulain?! :)

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o prazer de usar a linguagem é um dos prazeres humanos maiores.