09/02/2012

conhecendo benedetti




"drama cromático
o verde é uma cor
que não amadurece

#

o pior do eco
é que dizem as mesmas
barbaridades"

26/01/2012

Arte, vagina e sublimação


"- Tem um quadro aqui no gabinete que, desde quando entrei, entendi que era uma boceta. É azul e tem um desenho como se fossem os lábios. Certo dia, uma advogada deu pití com o quadro. No bafafá, outras pessoas tinham a mesma impressão que eu, enquanto algumas nem sequer haviam cogitado essa interpretação. O quadro foi levado pro anexo, longe dos advogados púdicos. Será que isso me faz ser uma pessoa pré-disposta a enxergar "coisa"? Sou tarado ou estou sublimando meus instintos?

- Uma vez eu tava almoçando com painho ali no Yakissoba e percebei que tinha um quadro de uma maçã repartida na parede. As cores eram originais da maçã. Esse branco meio baunilha, com as cascas vermelhas. Falei pra painho que achava parecido com uma vagina. (jamais diria buceta, quanto mais "boceta"). Painho riu e achou que eu estava viajando. Aquilo era um restaurante, não um consultório de ginecologia ou "casa de massagem", etc. Pensei que, de certa forma, poderia ser útil pra abrir o apetite. E isso faz tempo. Qualquer dia vou verificar se esse quadro ainda está por lá. Considerando que eu não gosto da coisa e de certa forma a vi, acho que a taradisse não consiste em perceber, mas em ter estímulos ou se fazer estimular. Não acho que sejas tarado por isso, a não ser que..."(!!!!!)

14/12/2011

viagens cotidianas - chocolate


Entrou no ônibus. Janela livre, uma dádiva. Trinta segundos depois de sentar, lembrou, como de costume sempre lembrava: esqueci o livro, um livro. Qualquer distração. A viagem será longa. Milhões aproximam-se nas ruas do Recife, o trânsito das seis e meia. Tanta gente junta, tanta gente só. O vasto número de pessoas sequer dilui minha solidão. Solidez de mãos e corações. É grave. Dessa vez, o cheiro exalado pela Fábrica é indubitável: chocolate. Chocolate, leite e manteiga borbulhando na caldeira, misturados. O cheiro em nada me lembra o teu sopro, mas a cor. Imagino montanhas, tuas costas. E o calor. O teu calor que eu recebo quando me molhas de suor.

28/11/2011

ato involuntário



Memória seletiva. Sofro de um problema crônico. As lembranças que em mim perduram são solares, ilustres, supras, úmidas, sorridas e mansas. Memórias que guardo são as boas. Indeléveis. Essas, de você tenho bastantes.

paixão nos dentes


marco-me a ferro e fogo
até o osso
dissipo a dor
a dente

até findar a força
e não restar
sequer uma gota
do que se sente

11/07/2011

nós


quero um dia perfeito:
céu cor de arrebol,
meu vestido azul,
sua camisa de sol.
nós dois em brasa,
anoitecendo,
e todos os nós
se desfazendo.

16/06/2011

Parece coisa.





parece que todas as coisas
estão em silêncio
tuM tUM TUM
tamanho é o barulho
do meu coração

parece que todas as coisas
restam paradas
estão imóveis, estátuas
tão grande é o frisson
no meu coração

parece até que meu
coração virou coisa
pra você poder
pegar, rendilhar e deixar desse jeito.
parece não, é.




23/05/2011

Adeuses.

Atraída pela ideia, resolvi seguir a lista de atribuições do Learning to Love You More. Livre e aleatoriamente. Começarei, coincidentemente, pelo fim, com a 70ª atribuição.


Adeus, banho quente em dias quentes.
Adeus, salão toda semana.
Adeus, inércia pros estudos.
Adeus, paranoia.
Adeus, falta de paciência.
Adeus, críticas infundadas.
Adeus, ansiedade destrutiva.

20/05/2011

desejo em desordem

meu travesseiro te transpira
sinto
meu coração que palpita
caminho sem ninho pro sonhar
sonho
com você acordar

girafa no braço
ningúem do meu lado
faltam teus pés
pra me acalmar

28/04/2011

prato-feito



não tem mais jeito mesmo
bem comeste o meu queijo
pra mim já és um prato-feito
para todas as refeições
o prazer de usar a linguagem é um dos prazeres humanos maiores.